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Ana Patrícia Dantas Leão: primeira vice-presidente da história da OAB-BA

São muitos os motivos que levam alguém a escolher uma profissão. Uns veem nos pais a inspiração para seguir por este ou aquele caminho. Outros se espelham em determinado ídolo. Já a advogada e primeira mulher a ocupar a vice-presidência da OAB-BA, Ana Patrícia Dantas Leão, a inquietação perante as injustiças do mundo foi o que a animou a trilhar os nem sempre floridos caminhos do Direito. Determinada desde sempre, Ana Patrícia não apenas sonhava em conquistar um diploma como também estudar na Universidade Federal da Bahia e advogar. Assim, em 1997 iniciou o curso na Ufba, que concluiu em 2002, e desde então nunca sequer prestou um concurso público. Sua vocação, a qual ela se entrega por completo, é convocar para si a defesa do próximo.“Intuitivamente sempre fui advogada na minha conduta, no meu comportamento, na vontade de defender, na inquietação da busca pelo o que eu entendo por Justiça e defesa do próximo”, assim conclui ao relatar como ainda na infância, vivida na cidade de Salvador, se encontrou com a profissão, sem que disso tive consciência. Hoje uma referência feminina na advocacia baiana, Ana Patrícia percorre a trilha aberta tempos atrás por outras mulheres, ao mesmo tempo em que desbrava novos caminhos para as gerações que vêm chegando. Em seus tempos de faculdade, os homens ainda eram maioria na docência, embora algumas mulheres já se destacassem pela bravura e competência no exercício do magistério, a exemplo da brilhante professora da Faculdade de Direito da Ufba Marília Muricy, um símbolo da afirmação das mulheres que labutam no mundo jurídico, em nome de quem Ana Patrícia referencia todas as demais valorosas professoras. Nenhuma outra mulher, contudo, a inspirou tanto quanto a sua mãe – Lêda Dantas – que, nas palavras de Ana Patrícia, é uma mulher que inspira e encanta a todos, por sua retidão, firmeza, generosidade e capacidade de sonhar e realizar, até mesmo quando para muitos a realização parece impossível. Dona de siNa história da sua carreira, dedica um capítulo especial aos desafios enfrentados pelas mulheres no combate à violência e desvalorização profissional. Recém-formada, Ana Patrícia começou a trabalhar em um escritório de Salvador. A primeira experiência profissional, no entanto, durou apenas 19 dias e foi cessada imediatamente após um caso de assédio. Com a lembrança viva de quem se viu diante do algoz – mas também da coragem para vencê-lo de forma digna -, ela conta que um dia o dono do escritório a convidou até sua sala e lá lhe ofereceu um anel de brilhante, dizendo de forma presunçosa e repugnante que ela poderia ter tudo que desejasse, bastava aceitar aquele presente. Diante do desrespeito, a inquietação que há tanto tempo a acompanhava chegou a tal ponto que foi impossível contê-la. “Eu levantei e disse que nenhum presente poderia comprar a minha dignidade e que os meus sonhos mais valorosos não eram materiais, saí e nunca mais voltei, lamentando, no entanto, que outras colegas que lá permaneceram também fossem alvo de assédio e desrespeito como aquele. Não poderia sair sem dizer àquele homem o quão desrespeitoso ele era e que não me submeteria àquilo”, desabafou. A advogada utilizou a repulsa daquela experiência para plantar a semente do seu êxito profissional. Mesmo sem ter um nome conhecido, decidiu trabalhar na independência e liberalidade ínsitas da profissão que escolheu. Assim, uniu-se a uma amiga e juntas enfrentaram os desafios da advocacia liberal, colhendo, ainda hoje, os frutos da decisão tomada. Inimigo invisível e luta declaradaEssa é apenas uma das histórias que fazem com que Ana Patrícia, já há alguns anos, lute firmemente contra o assédio na advocacia. Um inimigo que, segundo ela, é invisibilizado no mundo jurídico. “Hoje tenho maturidade profissional e espaço de voz, o que faz com que as pessoas se inibam de praticar certas condutas comigo, mas não tenho dúvidas de que as jovens advogadas passam pelo o que passei e até por situações piores”, descreve. "E é necessário uma forte atuação e combate dessas condutas e apoio institucional às advogadas", completa. Daqui pra frente, ela espera que a bandeira contra o assédio seja erguida por cada vez mais advogadas e advogados, até que um dia nenhuma mulher se sinta desencorajada a reagir diante do agressor. “Precisamos fortalecer essa campanha a ponto de que todas as mulheres se sintam fortalecidas para reagir e de forma segura dizer NÃO, BEM COMO DENUNCIAR O ABUSO E VIOLÊNCIA!” OAB-BASer a primeira mulher a ocupar a vice-presidência da Ordem na Bahia tem sido uma missão desafiadora, mas, acima de tudo, uma experiência de muito aprendizado. Ana Patrícia ressalta o trabalho em equipe estimulado pelo presidente Luiz Viana Queiroz e o apoio que as mulheres estão recebendo da Diretoria para mostrarem seu trabalho. "Somos um grupo plural, cuja base é o respeito e a democracia, tudo sob a liderança inspiradora do nosso presidente Luiz Viana Queiroz". "Na atual gestão da OAB, temos advogadas ocupando posições destacadas na Diretoria, como a Tesoureira Daniela Borges, no Conselho Seccional e Federal, na Procuradoria Geral de Prerrogativas, nas persas comissões, nas presidências e diretorias as Subseções do interior. Acho simbólico e importante que as mulheres ocupem essas posições políticas, resultado do trabalho e conquista de muitas advogadas que já passaram pela OAB, como Joselita Leão, por exemplo, Medalha Ruy Barbosa da OAB-BA, e tantas outras, que igualmente dignificaram a consolidação da história da OAB abrindo caminhos para que mais mulheres ocupassem e ocupem os espaços políticos em nossa Instituição". Estudo, paciência e persistênciaCom sua experiência profissional e a trajetória nos trabalhos da Ordem, que inclui a participação na gestão 2013-2015 da Escola Superior de Advocacia Orlando Gomes (ESA), onde contribuiu para o fortalecimento da Escola e expansão dos cursos para todo o estado da Bahia, Ana Patrícia orienta aos jovens advogados que tenham paciência, persistência e que nunca deixem de estudar e jamais desistam dos seus sonhos. Conta que sente orgulho de fazer parte da OAB e contribuir, ao lado do Presidente Luiz Viana Queiroz e todos os advogados e advogadas que fazem parte dessa gestão, do projeto de resgate da valorização e fortalecimento da advocacia. Finaliza dizendo que a advocacia é uma das mais dignificantes trajetórias profissionais, se realizada com ética, comprometimento e paixão. Relembra a imortalizada lição deixada por Raul Chaves no sentido de que: “Advogar é combater, é lutar, é opor-se, é apaixonar-se pela paixão alheia; é sofrer o martírio de não poder ajustar a razão do cliente, nem sempre dentro da lei, à inflexibilidade da norma; é não ser compreendido, às vezes, por aqueles mesmos aos quais representa; é enfim, e mais uma vez, fazer um pouco de bem silenciosamente; é penetrar na alma dos que se confiam a nós, viver suas ânsias e dores, viver suas alegrias”.
08/03/2018 (00:00)
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